Segunda, 02 de Agosto de 2021 13:03
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Prefeitura de Itajubá teria distribuído três cargos de agente para apoiadores políticos

Vice-prefeito afirmou que escolha foi realizada por empresa

06/07/2021 19h00 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação
Prefeitura de Itajubá teria distribuído dez cargos para apoiadores (Foto: Divulgação/Prefeitura de Itajubá)
Prefeitura de Itajubá teria distribuído dez cargos para apoiadores (Foto: Divulgação/Prefeitura de Itajubá)

Pelo menos três agentes de apoio contratados pela prefeitura de Itajubá teriam sido convidados a trabalhar após fornecerem apoio político à atual administração durante a campanha eleitoral de 2020. Uma lista enviada pela prefeitura para a Câmara Municipal e obtida com exclusividade pelo Diário de Itajubá aponta que os nomes dos funcionários terceirizados coincidem com os de apoiadores políticos da gestão Christian Gonçalves (DEM) e Nilo Baracho (Republicanos).

Em abril de 2021, a prefeitura anunciou a contratação de dez agentes de apoio, conhecidos como “amarelinhos”. A equipe é responsável por fiscalizar o uso de máscara e o respeito às regras de distanciamento em Itajubá por conta da pandemia de covid-19.

Em um contrato firmado com uma clínica médica do estado do Paraná, a prefeitura desembolsou R$ 56,6 mil para contratar os agentes por um período de três meses. Cada um deles recebe, ao todo, R$ 5,6 mil. Todos foram contratados de forma temporária e sem vínculo empregatício. 

A empresa foi a responsável por fornecer os nomes dos dez agentes que deveriam atuar na busca ativa de pacientes com síndrome gripal e educação preventiva contra a pandemia em vários pontos da cidade. 

Segundo o o vice-prefeito e secretário de Saúde, Nilo Baracho (Republicanos), a indicação dessas pessoas foi feita apenas pela empresa contratada e seguiu critérios técnicos. Entretanto, os nomes selecionados pela empresa coincidem com os de apoiadores políticos da atual gestão.

Para o vereador Pedro Gama (PV), a contratação pode ter sido feita em troca de apoio político. “No meu ponto de vista, chamou a atenção algumas questões: esses agentes de apoio não são funcionários contratados celetizados por essa empresa. Eles são prestadores de serviço da empresa. E também, quando nós tivemos acesso aos nomes de quem seriam esses agentes de apoio, a gente encontrou alguns ex-candidatos e pessoas que trabalharam em campanha eleitoral”, disse o vereador durante sessão na Câmara nesta segunda (28).

Troca de apoio

Ao analisar os dez nomes das pessoas contratadas, foi possível verificar que três delas manifestaram apoio ativo à campanha dos atuais prefeito e vice de Itajubá. Duas delas, Cristiane Aparecida de Oliveira e Flávia Carvalho Pereira que trabalharam, inclusive, na campanha política de Christian Gonçalves (DEM) a prefeito durante as eleições de 2020. 

Na mesma lista, também consta o ex-candidato a vereador Jefferson Galdino, derrotado nas eleições de 2020. Ele fazia parte da coligação que apoiava a atual gestão e ganhou cargo como agente de apoio.

Vice-prefeito nega 

Durante reunião na CPI da Covid-19, realizada na Câmara Municipal em 17 de junho, o vice-prefeito negou que as contratações foram realizadas em troca de apoio. Ele disse que apenas foi solicitado pela prefeitura para que a empresa escolhesse nomes que atendessem a uma série de requisitos. 

“Precisávamos de algumas características: pessoas que conhecessem bem o Centro [da cidade], que tivessem bom relacionamento com as pessoas, e também pessoas de bairros. Pedimos para serem contempladas pessoas de bairros para que também ficasse mais fácil esse trabalho nos bairros ali onde ela mora ou até mesmo nas adjacências”, afirmou.

Na mesma reunião, o vice-prefeito negou que exista algum relatório de desempenho desses funcionários. “Relatório formalizado, não. Mas como eles, durante a atividade, têm momentos que estão andando e fazendo esse tipo de serviço, sempre estão em algum momento com a Guarda Municipal e com a Vigilância Sanitária. E tanto a Guarda, como a Vigilância, nos dá esse feedback do desempenho deles”, disse.

Todos os contratados para exercer a função atuam com jornadas de 40 horas semanais e foram divididos em dois grupos com turnos diferentes. De segunda a sexta-feira, de 8h às 14h ou de 12h às 18h e, aos sábados, o serviço é realizado de 8h às 13h.

Os contratados não têm autonomia para realizar autuações ou notificações de estabelecimentos. A função é exclusiva de servidores da Vigilância Sanitária. 

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