Segunda, 02 de Agosto de 2021 13:33
Política Polêmica

Divergências expõem rixa entre presidente da Câmara Municipal e prefeitura de Itajubá

Presidente da Câmara Municipal, vereador Robson Vaz (PSDB), defende que Itajubá saia do programa Minas Consciente

18/07/2021 22h17 Atualizada há 5 dias
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Por: Redação
 Robson Vaz é presidente da Câmara Municipal e tem ido contra a prefeitura de Itajubá (Foto: Câmara Municipal)
Robson Vaz é presidente da Câmara Municipal e tem ido contra a prefeitura de Itajubá (Foto: Câmara Municipal)

Divergências entre o presidente da Câmara Municipal, Robson Vaz (PSDB), e a prefeitura de Itajubá, evidenciam uma rixa entre os dois poderes. De um lado, o líder do Legislativo defende a saída do município do programa Minas Consciente, responsável pela flexibilização de setores durante a pandemia de covid-19. Do outro lado, a prefeitura se recusa a sair do programa, e enfrenta dificuldades de atender às demandas de comerciantes da cidade. 

Vaz foi eleito presidente da Câmara com a expectativa de estar alinhado à prefeitura. Em janeiro, ele obteve maioria dos votos dos parlamentares que correspondem à base aliada de Christian Gonçalves (DEM). Do outro lado, Silvio Vieira (PV) teve os votos de vereadores independentes e de oposição, mas foi derrotado pelo ex-vereador.

Robson Vaz é aliado político de Rodrigo Riera (MDB), ex-prefeito de Itajubá. A expectativa da prefeitura é que a parceria continuasse com o ex-parceiro de chapa de Riera. O que não aconteceu ao longo dos últimos meses.

Em declarações públicas, o presidente da Câmara Municipal afirma discordar da política de flexibilização da pandemia. O município responde, desde o ano passado, ao programa Minas Consciente. Para o parlamentar, a reabertura de academias, bares, igrejas e escolas não deveria depender de deliberações do Governo de Minas Gerais.

“Fechar o comércio, como salão de beleza e outros, depois de meses de pandemia e crise financeira, ainda mais na semana dos Dia dos Namorados, que é a segunda melhor época do ano para o comércio, é uma covardia e falta de sensibilidade. Não tem como aceitar isso em silêncio”, reclama.

Robson Vaz afirma que as cidades podem desrespeitar o programa. “Estudei muito tudo sobre o assunto e estou certo que o município não é obrigado a seguir e se for seguir, ser literal”, diz. 

As declarações do parlamentar vão contra a política adotada pelo município. Segundo o vice-prefeito e secretário de Saúde, Nilo Baracho (Republicanos), o município não pode desrespeitar as deliberações do Minas Consciente, sob risco de cometer improbidade administrativa. 

“Está escrito, sim, autonomia, mas a autonomia é no sentido que o prefeito tem, de quem está no Minas Consciente, de apertar mais uma determinada onda. Diminuir, afrouxar essa onda, não é permitido”, disse. 

Robson Vaz é autor de três projetos que preveem a reabertura de academias, igrejas e escolas mesmo na fase mais restritiva do Minas Consciente, a Onda Roxa. Entretanto, o projeto das academias, aprovado recentemente, se mostrou inválido devido ao programa estadual. O problema poderá se repetir com as igrejas e escolas, caso as restrições aumentem.

Diante do problema, o parlamentar acredita que a cidade poderia deixar o programa Minas Consciente. A medida também foi defendida publicamente pelo ex-prefeito e seu aliado político, Rodrigo Riera (MDB).

“Como solução temos várias possibilidades, algumas mais severas como não fazer parte do Minas Consciente como Pouso Alegre e Varginha, ou outras ações mais simples como não seguir essas novas restrições ou seguir de forma mais branda”, disse. 

Entretanto, o prefeito de Itajubá não sinaliza a possibilidade de deixar o programa. A cidade foi beneficiada, recentemente, com as instalações de 40 novos leitos de UTI e leitos clínicos para pacientes com covid-19, financiados pelo Governo de Minas. 

O próprio governador Romeu Zema (Novo), em visita à Itajubá, anunciou o investimento. Sem seguir o plano estadual, a cidade poderia sofrer desgaste no cenário estadual e perder investimentos.

A divergência entre a Câmara e a prefeitura se agravou ainda mais na última semana, quando Robson Vaz (PSDB) colocou em pauta um projeto que estava sobrestado desde fevereiro. 

O texto prevê reajuste no salário de servidores do Legislativo, e a manobra foi vista por outros parlamentares como uma forma de pressionar um desgaste entre os servidores da prefeitura e o prefeito Christian Gonçalves (DEM), que seria obrigado a colocar em pauta o aumento de seus funcionários.

Por conta das divergências com o presidente da Câmara Municipal, a prefeitura pode enfrentar problemas para colocar projetos de interesse próprio em pauta. Sem acordo entre as partes, a prefeitura pode ter dificuldade para avançar em projetos que precisam de respaldo do Legislativo.

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