Segunda, 02 de Agosto de 2021 12:42
Política Denúncia

Vereadores apuram nomeações políticas no Departamento de Trânsito em Itajubá

Ex-candidatos a vereador teriam sido contemplados com cargos no departamento após perderem as eleições em 2020

22/07/2021 18h57 Atualizada há 5 dias
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Por: Redação
Após escândalo de corrupção, prefeitura distribui cargos no Departamento de Trânsito para aliados (Foto: Diário de Itajubá)
Após escândalo de corrupção, prefeitura distribui cargos no Departamento de Trânsito para aliados (Foto: Diário de Itajubá)

Vereadores da Câmara Municipal apuram uma distribuição de cargos em troca de apoio político dentro do Departamento de Trânsito em Itajubá. Dentre eles, os parlamentares identificaram problemas dentro da Junta Administrativa de Recursos de Interpostos (JARI), órgão responsável por julgar os recursos de multas aplicadas em condutores de veículos na cidade.

Em uma das situações, os parlamentares da Comissão de Segurança Pública identificaram uma dupla contratação de um ex-candidato à Câmara Municipal. Segundo a investigação, Jefferson Galdino (Republicanos), derrotado nas eleições de 2020, ganhou dois cargos na prefeitura após não conseguir ser eleito.

Galdino foi contratado como agente de apoio da prefeitura para fiscalizar o respeito às regras de distanciamento social durante a pandemia de covid-19 nas ruas da cidade com um salário de R$ 1,8 mil por mês. 

Junto de outras duas pessoas, ele ganhou a função de uma empresa terceirizada que, segundo o vice-prefeito e secretário de Saúde, Nilo Baracho (Republicanos), não teve qualquer orientação da prefeitura para as contratações. Tanto Galdino como as outras duas pessoas foram apoiadores políticos da candidatura de Christian Gonçalves (DEM) e Baracho para a prefeitura.

A apuração dos parlamentares identificou que, além de ter um cargo como agente de apoio, Galdino também foi beneficiado com uma função de conselheiro da JARI. Dentre suas funções, está a de julgar os recursos de infrações como representante da sociedade, mesmo sem ter formação técnica para ocupar a função, já que é representante comercial.

Para cada multa julgada, tanto Galdino quanto os outros dois conselheiros que compõem a JARI recebem, por cada audiência em que julgam os recursos, o equivalente R$ 203,20 da prefeitura. Por mês, são realizadas, pelo menos, quatro reuniões que julgam oito processos cada. 

Além da dupla contratação de Galdino, a comissão apurou que o diretor do Departamento de Trânsito da Secretaria Municipal de Defesa Social, Alan Carlos Pinto (Republicanos), ganhou o cargo após ser derrotado nas eleições. Ele também foi candidato a vereador e não conseguiu ser eleito.

Durante reunião da comissão, realizada na Câmara Municipal em 13 de julho, Marcos Pereira de Paula, conhecido como Sargento Pereira, afirmou que os membros escolhidos para o conselho que julga as multas têm como função representar todos os setores da sociedade.

Pereira foi nomeado para a função após a saída de Wilson Everton Ferreira de Faria, ex-secretário da gestão de Rodrigo Riera (MDB) preso no início do ano por suspeita de cobrar propina para cancelar as multas. 

“São pessoas de alguns segmentos diferentes justamente para não ter aquela coisa do favorecimento. Então, nós temos representantes da sociedade, do trânsito, e outro da própria instituição, do próprio Departamento de Trânsito. Desde então, nós estamos procurando dar uma cara nova, dar uma maneira nova de condução à JARI”, disse. 

Para Pedro Gama (PV), um dos membros da comissão que apura a irregularidade, as contratações podem ter tido motivação política. “Entendo que todo o processo de aplicação de multas e julgamento de recursos deve ser estritamente técnico, jamais sendo espaço para intervenções políticas e nomeação de parceiros políticos”, afirma. 

Durante a reunião, o vereador Markinhu Meirelles (PSD) considerou a competência de Pereira à frente da função. “O senhor comentou que este estudo é técnico. No caso, o senhor, pela sua formação, pelo currículo que o senhor tem na área militar”, disse, questionando as outras nomeações para o conselho.   

As nomeações para a JARI e para o Departamento de Trânsito evidenciam uma provável troca de favores políticos. Tanto Galdino, quanto Pinto receberam cargos após perderem as eleições e manifestarem apoio político à atual legislatura.

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