Sexta, 26 de Fevereiro de 2021 07:06
Política Itajubá

Gestão Christian distribui cargos de confiança para vereadores derrotados

Em estratégia política, novo prefeito de Itajubá distribui cargos para vereadores da base derrotados em 2020

04/01/2021 23h36 Atualizada há 2 meses
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Por: Redação
Das 65 pessoas nomeadas para cargos de confiança, 13 são vereadores derrotados nas eleições (Foto: Diário de Itajubá)
Das 65 pessoas nomeadas para cargos de confiança, 13 são vereadores derrotados nas eleições (Foto: Diário de Itajubá)

O prefeito Christian Gonçalves (DEM) nomeou, nesta segunda-feira (4), 65 pessoas para cargos de confiança em sua gestão. Na lista, aparecem apoiadores políticos e vereadores da base derrotados nas eleições do ano passado.

Alguns nomes foram reconduzidos ao cargo, enquanto que outros são novidades no Executivo Municipal. Ao todo, foram 13 cargos de chefia destinados à parlamentares que, em boa parte, não possuem sequer formação técnica para o cargo.

Segundo levantamento feito pelo Diário de Itajubá, com base nos relatórios do Portal da Transparência da prefeitura de Itajubá, serão gastos R$ 284 mil por mês apenas com essas nomeações. Por ano, o valor desembolsado pela prefeitura será de, pelo menos, R$ 3,4 milhões. 

O levantamento mostra ainda que, apenas com os 45 cargos de diretoria distribuídos entre vereadores e apoiadores políticos, a prefeitura irá desembolsar R$ 180 mil por mês com as folhas de pagamento para essa função. O valor equivale a 63% do total que será gasto mensalmente com as nomeações. 

Nomeações

Boa parte dos cargos foram distribuídos para candidatos à Câmara Municipal de Vereadores derrotados nas eleições municipais de 2020. Dentre os nomes mais polêmicos, está o do ex-vereador José Vladimir dos Santos, conhecido como Vladimir Bananeiro (MDB).

Ele tentou a reeleição para a Câmara Municipal, mas foi derrotado. Sem oportunidade no Legislativo, ele foi nomeado Diretor do Departamento de Fomento Agrícola. O ex-parlamentar receberá um salário de cerca de R$ 4 mil.

Outro ex-vereador que não conseguiu retornar à Câmara e que ganhou cargo na prefeitura foi Renato Moraes (PSDB). Ele era líder do ex-prefeito Rodrigo Riera (MDB) no Legislativo Municipal e protagonizou o polêmico episódio em que ajudou a organizar uma manifestação com ataques à juíza Letícia Drumond, da 2ª Vara Cível da Comarca de Itajubá, por conta da decisão judicial que manteve a proibição da reabertura do comércio durante o auge da pandemia de covid-19, em maio do ano passado. Renato receberá um salário de R$ 6.983,64.

Luiz Vagner da Silva, conhecido como Vagner Vaguinho (PL), foi candidato à Câmara, mas obteve apenas 243 votos. Ele foi nomeado por Christian como diretor do Departamento de Meio Ambiente. Entretanto, Vaguinho já era funcionário comissionado na gestão Riera, e se afastou para tentar o cargo de vereador. Seu salário será de R$ 4 mil.

Outro candidato a vereador derrotado foi Carlos Henrique Vanderley Juvêncio. Conhecido como Elvis (DEM), ele teve 546 votos e não conseguiu uma vaga na Câmara. Elvis foi nomeado pelo prefeito de Itajubá como diretor do Departamento de Lazer, com salário de R$ 4 mil.

Jaqueline Cássia Pedroso Oliveira concorreu à Câmara com o nome de Jaque Da Saúde (DEM). Com 537 votos, não conseguiu ser eleita, mas ganhou cargo como diretora do Departamento de Assistência e Saúde na prefeitura, nomeada por Christian. Ela também terá um salário de cerca de R$ 4 mil.

Dentre os nomes que tentaram cargo de vereador, foram derrotados e conseguiram vaga na prefeitura, também está o de Josué Luiz dos Santos. Com o nome de Josué Tetei (PL), o candidato, que teve 578 votos, assumirá o cargo de assessor especial. O salário para este cargo é de 4.702,02.

Márcio Maluf Caldas (MDB) também tentou uma oportunidade no Legislativo Municipal. Com 687 votos, não conseguiu entrar na Câmara de Vereadores, mas foi beneficiado com o cargo de assessor especial na Secretaria Municipal de Governo da prefeitura de Itajubá, ganhando quase R$ 5 mil por mês.

Waldene Cristina Gonçalves De Oliveira (PL) também foi contemplada com um cargo de assessora especial na mesma secretaria com um salário de quase R$ 5 mil. Nas eleições, quando foi candidata à vereadora, teve 315 votos e não conseguiu ser eleita.

No mesmo cargo, também foi nomeado José Maria Silva, conhecido como Zé Maria Bão (PTB), que foi vereador em Itajubá entre 2013 e 2020. Ele foi derrotado ao tentar a reeleição com 493 votos, perdendo a vaga para o colega de partido, Chiquinho do Euzébio (PTB). Zé Maria ganhará quase R$ 5 mil por mês.

Luciano Ramon De Souza, conhecido como Luciano Da Farmácia (PTC), também foi nomeado assessor especial da Secretaria Municipal de Governo. Nas eleições, ele teve 1.132 votos, mas não conseguiu ser eleito por conta de sua legenda. Mesmo sem ganhar, foi contemplado com um cargo onde o salário ultrapassa a marca de R$ 4,7 mil.

A ex-vereadora Mônica Chaves (PSDB) também conseguiu um cargo de expressão na prefeitura. A candidata, derrotada nas eleições de 2020 com apenas 352 votos, foi nomeada para a Coordenadoria Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, onde receberá cerca de R$ 4 mil.

Luiz Fernandes Gonzaga, o Fernando Gonzaga Do Luizão (MDB), foi nomeado diretor do Departamento de Habitação com um salário de R$ 4 mil. Ele foi candidato a vereador nas eleições municipais e teve 425 votos.

Por fim, o candidato a vereador Klécius Albert Neves Balbino, o Klecinho (MDB), que teve 489 votos, ganhou cargo como diretor do Departamento de Formação Profissional na prefeitura de Itajubá. Ele receberá um salário de cerca de R$ 4 mil. 

Nomeações questionáveis

Parte das nomeações chamam a atenção pela falta de capacidade técnica dos contratados. Thaís Ribeiro de Oliveira Martins, que foi nomeada diretora do Departamento de Cobrança de Tributos, ficou em 26º em um processo seletivo da prefeitura de Itajubá realizado no ano passado. Ela, que atuará no setor de finanças, tentou vaga para o cargo de engenheira civil, mas teve apenas 30 pontos.

Renato Moraes (PSDB), é ex-vereador e pastor evangélico. Ele assumirá a função de Coordenador de Defesa Civil. Antes, Moraes trabalhou como instrutor de autoescola. Josué Tetei (DEM), que é técnico de raio-x, ganhou um cargo como assessor especial na Secretário Municipal de Governo (Semug).

Na lista, aparecem ainda nomes como o de José Maria Silva, conhecido como Zé Maria Bão (PTB). O novo assessor especial da Semug tem em seu currículo o cargo de porteiro de prédio e de ex-presidente da Associação dos Moradores do bairro Rebourgeon. Outro nome polêmico é o de Luciano Ramon De Souza, conhecido como Luciano da Farmácia (PTC), que também ganhou cargo de assessor especial, mesmo sendo vendedor varejista. 

Cargos irrelevantes

Na distribuição de cargos comissionados de diretoria, duas funções chamam a atenção diante da crise financeira provocada pela queda de arrecadação durante a pandemia do novo coronavírus. Em declaração pública no ano passado, o ex-prefeito Rodrigo Riera (MDB) afirmou que a cidade enfrentaria um rombo de R$ 40 milhões na arrecadação em 2020. 

Os cargos de diretor de Departamento de Parques e Jardins, dado para Lucimara Aparecida da Silva Borges e o cargo de diretor de Departamento de Esporte de Competição Interna, que ficou sob a responsabilidade de Francisco Lopes de Castro Silva, contam remunerações de cerca de R$ 4 mil cada, por serem cargos de diretoria. Por ano, o gasto com essas funções chega a mais de R$ 96 mil.

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